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MESA-REDONDA 1

LEITURA E ESCRITA: NOVOS REFERENCIAS DAS CIÊNCIAS DA LINGUAGEM

O Sistema Scliar de Alfabetização para a leitura e a escrita vem sendo aplicado, desde 2017, em Lagarto/SE, via Secretaria Municipal de Educação. Na mesa-redonda “Leitura e escrita: novos referencias das ciências da linguagem” serão relatados resultados inovadores de pesquisas e de experiências vitoriosas. Propõe-se expor e debater as narrativas advindas das mais recentes aplicações do Sistema Scliar de Alfabetização em Lagarto/SE. Conforme amplamente divulgado, na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2016 (INEP, 2017), foram avaliados 2.160.601 alunos ao término do 3º ano do Ciclo de Alfabetização, nas escolas públicas brasileiras, em leitura e escrita, dos quais somente 12,99% atingiram o nível desejável (4) em leitura e apenas 8,28% atingiram o nível desejável (5) em escrita. Ressalte-se que Sergipe foi o estado que apresentou o pior desempenho em leitura e Alagoas, o pior, em escrita. Isto nos alerta para a necessidade de buscar referenciais recentes das ciências da linguagem, da neurociência, da psicologia e da educação, novas metodologias e material pedagógico adequado, que embasem a formação continuada dos alfabetizadores, a partir de experiências que deram certo, como a de Lagarto, em 2017, quando a quase totalidade das 70 crianças de três classes, ao término do 1º ano de escolas da periferia do EF, tornou-se fluente e com gosto pela leitura.
Palavras-chave: Leitura e escrita. Ciências da linguagem. Pesquisa e ensino.

 

POLÍTICAS PÚBLICAS DA ALFABETIZAÇÃO PARA A ESCRITA
Leonor Scliar-Cabral (UFSC)

As políticas públicas da alfabetização para a escrita devem priorizar a qualidade da educação nos anos iniciais, ou seja, no 1º e 2º anos do EF. Quanto ao Nordeste, os desafios são dramáticos: Alagoas e Sergipe se alternaram nos piores resultados em leitura e escrita, na Avaliação Nacional da Alfabetização de 2016 (INEP, 2017). É necessário, pois, fundamentar os professores, metodologias e material pedagógico nos avanços das ciências de ponta que se ocupam da estrutura, aprendizagem e funcionamento da língua escrita: linguística, psicolinguística, neuropsicologia e neurociência. Para se tornar um redator experto, o aluno deverá: a) aprender a planejar, isto é,  definir o tema (mensagem), suas intenções pragmáticas, o(s) destinatário(s), a situação comunicativa escrita (aprendendo os usos linguísticos decorrentes da ruptura espaço-temporal), o gênero e o registro; b) a elaborar o plano (o roteiro que norteará a redação do texto), mantendo-lhe a coerência, a coesão, a consistência e a paragrafação, com a correta hierarquia das ideias; c) aprender a converter o plano no texto; d) aprender a pontuar, de acordo com a sintaxe; e) automatizar a conversão dos fonemas em grafemas e os gestos motores requeridos na execução (manuscrita e digitação); f) saber revisar o escrito, aplicando os conhecimentos metalinguísticos. Comentarei a experiência das políticas públicas da alfabetização para a escrita assumidas pela SEMED de Lagarto, em 2018. Na avaliação da ANA de 2016, Sergipe ficou em penúltimo lugar em escrita (1,84%). Em 2017, 70 crianças em Lagarto foram alfabetizadas pelo Sistema Scliar de Alfabetização: ao término do 1º ano estavam lendo fluentemente; em 2018, em maio, estavam planejando e redigindo convites em letra cursiva.
Palavras-chave: Escrita. Ensino. Políticas públicas.

 

ALFABETIZAÇÃO E ESCRITA: IMPACTO SOCIAL SOBRE OS GRUPOS HUMANOS
Antônio Ponciano Bezerra (UFS)

Esta comunicação se insere no contexto dos objetivos de um trabalho de reflexão, a partir da situação atual em que se encontram a alfabetização e o aprendizado da expressão escrita, no Estado de Sergipe. As cartilhas e outros materiais didáticos produzidos e destinados a alfabetizar, na idade certa ou na idade adulta, são tomados e tratados, aqui, em sua linguagem, em sua orientação teórica, em suas imagens utilizadas, em sua pertinência, autoria e docência, articulando essas categorias à fundamentação teórico-linguística relativa, sobretudo, ao que diz respeito à leitura e à escrita. A Alfabetização tem muito mais a ver com o escrito do que com o oral. O oral se desenvolve naturalmente, ao longo do desenvolvimento físico e cognitivo do falante e do 'ajuste' de seu aparelho fonador aos órgãos da sua articulação, ao serem acionados para falar ou produzir a fala. Alfabetização e escrita se conjugam de modo diferenciado. Normalmente, espera-se que o indivíduo atinja uma certa idade mínima para o aprendizado da escrita que, normalmente, acontece institucionalmente, isto é, numa instituição escolar regida por normas e conduzida por técnicas e técnicos. A tecnologia da escrita não aparece, em suas raízes históricas, como uma interação social espontânea. A escrita foi um facilitador poderoso das relações mercantis, no decorrer de seu aperfeiçoamento, e, em vários aspectos, revelou-se uma prática segregadora, excludente e violenta. A "educação do olhar foi uma exigência a mais que recaiu sobre os leitores, com a criação/invenção da imprensa, habituados que estão com o texto manuscrito. Não há registros que informem sobre a "educação do aparelho fonador" para a produção da oralidade. O oral eclode livremente, o que não acontece com o escrito que depende de um domínio artificial/formal.
Palavras-chave: Leitura. Escrita. Alfabetização

 

SISTEMA SCLIAR DE ALFABETIZAÇÃO: A INTEGRAÇÃO ESCOLA-COMUNIDADE EM LAGARTO/SE
Mariléia Silva dos Reis (UFS)

O Sistema Scliar de Alfabetização consiste numa proposta de ensino e de aprendizagem iniciais da leitura e da escrita para o letramento e para a cidadania, com vistas à formação de um leitor crítico fluente que compreenda os textos que circulam socialmente. Fundamenta-se nas teorias mais recentes da neurociência, da linguística, da psicolinguística e da neuropsicologia. No Brasil, os baixos níveis de proficiência em leitura são preocupantes: em Sergipe, por exemplo, apenas 20% das crianças que saem do 3º ano do Ensino Fundamental alcançam nível suficiente (adequado e desejável), segundo a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA, 2016), fato que levou o Estado a ocupar a última posição no ranking nacional. Partindo deste cenário, são muitas as ações efetivas que têm sido iniciadas em Lagarto/SE, via implantação do Sistema Scliar de Alfabetização pela Secretaria Municipal de Educação – SEMED/Lagarto, voltadas à formação linguística de professores alfabetizadores. Neste estudo, abordo a integração da escola, família e comunidade às inovações dos novos fundamentos para a alfabetização de 430 crianças matriculadas no 1º ano, em 2018. Tais fundamentos evidenciam o quão auspicioso o trabalho em Lagarto/SE tem se revelado.
Palavras-chave: Leitura e Escrita. Ensino. Escola-comunidade.

 

MESA-REDONDA 2

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E SIGNIFICADO SOCIAL

Nesta mesa, são explorados conceitos centrais para explorar o significado social da variação linguística, mais recentemente alçado a objeto de estudo em fenômenos ditos de terceira onda (Eckert, 2012), como a composição de estilos e construção de identidades sociais em práticas cotidianas, a identidade e a consciência social.

 

CONCEITOS DE IDENTIDADE E MÉTODOS PARA SEU ESTUDO
Livia Oushiro (UNICAMP/FAPESP)

Os estudos sociolinguísticos vêm se preocupando, cada vez mais, com aspectos da identidade individual ou social dos falantes, sobretudo em pesquisas que se incluem na chamada “Terceira Onda” (Eckert, 2012). Contudo, nesses estudos, nem sempre se define o conceito de identidade com o qual se opera, e não raro se lança mão da noção de “identidade do falante” como explicação ad hoc para certos comportamentos idiossincráticos de indivíduos específicos, cujos padrões linguísticos não se encaixam naqueles previstos por macrocategorias como “sexo” e “escolaridade”. Esta fala revisará algumas definições do conceito de identidade e estudos que dele se valem, com vistas a avaliar sua operacionalização e replicabilidade em pesquisas sociolinguísticas. Tais métodos incluem a observação etnográfica, a formulação de perguntas no roteiro da entrevista sociolinguística, a aplicação de questionários, a elaboração de índices com base em critérios pré-estabelecidos e testes de percepção, cada qual com suas vantagens e desvantagens.

 

SOBRE A GÊNESE DOS SIGNIFICADOS SOCIAIS: INVESTIGANDO VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NO PORTUGUÊS DE PORTO ALEGRE (RS)
Elisa Battisti (UFRGS/CNPq)

O trabalho discute os resultados de estudos preliminares (Goulart 2018, Rockenbach 2018) sobre significados sociais de variáveis fonológicas (elevação sem motivação aparente – boteco::buteco, senhora::senhora – e apagamento de /R/ em coda – qualquer::qualque(r), dor de cabeça::do(r) de cabeça) no português brasileiro falado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A discussão se fundamenta nas ideias de que (a) formas linguísticas adquirem significados sociais quando usadas na composição de estilos e construção de identidades sociais em práticas cotidianas (Coupland 2007, Eckert 2004, 2008), (b) categorias ou formas de classificação social não denotam pessoas, lugares ou entidades substantivas, mas pontos de convergência de dimensões culturais coerentes (Butler (2017[1990]), percebidos conforme as posições ocupadas pelos sujeitos no espaço social relevante (Bourdieu 2015[1979/1982]) e organizados em eixos de diferenciação (Gal 2016). Na discussão, serão consideradas as categorias nos eixos formal-informal, feio-bonito, velho-jovem, centro-periferia.

 

CONSCIÊNCIA SOCIAL E SALIÊNCIA EM FENÔMENOS DE VARIAÇÃO E MUDANÇA
Raquel Meister Ko. Freitag (UFS/CNPq)

Para identificar a que significados sociais uma variante está associada, fenômenos de variação e mudança costumam ser estudados do ponto de vista da produção e da percepção. Um artifício conceitual utilizado para articular estas duas perspectivas de abordagem é a saliência e seu efeito nos processos de variação linguística considerando a estrutura da língua e a cognição dos falantes: os efeitos da saliência na estrutura linguística se manifestam como saliência fônica, sintática e semântica; os efeitos na cognição dos falantes se manifestam na relação entre frequência de ocorrência de uma variável e seu grau de previsibilidade e prototipia em um contexto, e a percepção do falante. Entender a relação entre a saliência na estrutura da língua e na cognição dos falantes em processos de variação linguística permite identificar os gatilhos de preconceito social, já que variáveis salientes tendem a ser indexadas a perfis sociais no nível consciente.

 

MESA-REDONDA 3

MORTE E MELANCOLIA

As artes, sempre conectadas aos grandes temas universais, não poderiam desprezar questões tão vitais como a morte e a melancolia. Em todas as épocas e em todos os continentes os artistas têm produzido grandes obras em função do temor da morte ou dos seus efeitos, assim como dos estados melancólicos. Esta mesa é uma oportunidade de discussão sobre a morte e a melancolia na literatura e na pintura.

 

RUÍNAS, CASEBRES E OUTROS PALÁCIOS DE SATURNO: MELANCOLIA E AUTOCONSCIÊNCIA NA POESIA MODERNA
Fabiano Rodrigo da Silva Santos (Unesp/Assis)

As presentes considerações propõem uma leitura da relação entre melancolia, performance poética autoconsciente e plasmação da história a partir dos poemas “Ozymandias” (1818), de de Percy Byshee Shelley; “Le Cygne” (Les fleurs du mal, 1857), de Charles Baudelaire e “Morte das casas de ouro preto” (Claro Enigma, 1951), de Carlos Drummond de Andrade. Os três poemas compartilham certa orientação que os inclina à tentativa de composição de alegorias sobre a história, marcadas por profunda consciência de impossibilidade. Em seu esforço performático, tais alegorias evidenciam a relação entre indagação dos fenômenos sociais e investigação da natureza do discurso poético. Atestando aquela relação entre melancolia e representação fraturada do mundo que enfeixa o conceito benjaminiano de alegoria, os poemas aqui considerados testemunham a permanência do sistema imagético da ruína como um motivo típico da modernidade.

 

RETRATO FALADO: AS MENINAS MORTAS
Josalba Fabiana dos Santos (UFS)

Neste trabalho compararemos uma pintura (1850) a um romance (1954), ambos denominados A menina morta. O autor da primeira é desconhecido e seu título foi atribuído, enquanto o romance foi escrito por Cornélio Penna, inspirado pelas histórias da própria família e por essa pintura que retrata sua tia materna falecida ainda na infância. Há uma espécie de contaminação entre um e outro, pois, se o romance está marcado pelo retrato, nós, que sabemos disso, não podemos ver/ler este sem aquele. E se há algo de fantasmagórico no romance, anunciado desde o seu título, também o há no retrato, que funciona como o “corpo do fantasma”, na expressão de Didi-Huberman (2012). É justamente tal aspecto fantasmático que nos interessa abordar.

 

MESA-REDONDA 4

GILLES DELEUZE E A LITERATURA

Dentre os filósofos que flertam com a literatura, de modo mais próximo e profícuo, Gilles Deleuze é, sem dúvida alguma, uma referência. Sua concepção da criação, tanto filosófica, quanto literária, baseada na imbricação entre múltiplos saberes, faz do seu pensamento um diferencial para os que buscam compreender a literatura como um espaço de encontro para um pensar da diferença. Essa mesa tem como objetivo, estabelecer vínculos entre a filosofia deleuziana e a obra de Clarice Lispector como interlocução possível que tem, no conceito de 'acontecimento', um móvel para o pensamento.
Palavras-chave: Deleuze; Clarice Lispector; Filosofia; Literatura; Acontecimento.

 

PARA ALÉM DA TIRANIA DO SIGNIFICANTE
Rodrigo Guéron (UERJ)

Em um movimento semelhante ao que faz Deleuze e Guattari proporem o conceito de “máquina” no lugar da noção lacaniana de “simbólico”, os dois autores, em um debate com Marx e em uma radicalização do materialismo, propõe o conceito de “enunciados de organizações de poder” no lugar da concepção de “ideologia”. Para compreendermos este debate, teremos que buscar a compreensão do que é um “agenciamento de enunciação”, empreendendo um estudo de diferentes semióticas e, entre elas, duas que predominaram na história do cristianismo até chegarmos ao capitalismo, quais sejam, a “semiótica significante” e a “semiótica pós-significante”, mas também as semióticas “pré-significantes” e “a-significantes”. A compreensão destas semióticas e o modo como elas se combinam, mobilizando e/ou recalcando uma intensidade na linguagem, será decisiva para entendermos a literatura, e as artes em geral, para além do que se convencionou chamar de uma “interpretação”, buscando concebê-las, então, como “experimentação”. 

 

CLARICE LISPECTOR: FILOSOFIA, LITERATURA E ACONTECIMENTO
Cícero Cunha Bezerra (UFS)

Tratar de uma noção como a de acontecimento implica em um longo diálogo com a tradição filosófica que, desde os gregos, se debruçou sobre a realidade em suas inquietações sobre o ser e o devir, mas, também, com a tradição judaico-cristã que, sob diversos modos, instituiu o âmbito da linguagem como o “espaço” de acontecimentos em que o nomear exige, paradoxalmente, sua negação. São várias as formas de significações que a palavra acontecimento, na obra de Clarice Lispector, assume. Embora o caráter preposicional do verbo acontecer, em sentido transitivo indireto, aponte para uma experiência que ocorre “a” e “com” algo ou alguém, nos interessa pensar a irrupção inesperada dos acontecimentos em sua eventualidade que, enquanto tal, mantém-se irredutíveis a qualquer evento particular. Não se trata de reduzir, portanto, os acontecimentos a um sentido único e objetivo, mas demarcar o que caracteriza, pelas posturas de algumas personagens claricianas, à luz do pensamento de G. Deleuze, a experiência da liberdade que, enquanto tal, expressa o mundo, o ser humano e Deus em sua comum acontecência que, pensada a partir do aspecto denegativo da linguagem e do caráter inominável dos acontecimentos, encontra, na literatura de Clarice Lispector uma interlocução frutífera

 

MESA-REDONDA 5

CONTATOS, POLÍTICAS E DIREITOS LINGUÍSTICOS

Esta mesa dedica-se à discussão do conceito de contato linguístico, em sua versão estrita e ampliada, e suas implicações para políticas linguísticas e direitos linguísticos. São ponderados os efeitos da documentação de variedades e de línguas e suas consequências políticas e de direitos, nos termos do projeto CAPES/FAPITEC/PROMOB.

 

CONTATOS LINGUÍSTICOS E GRAMÁTICA CONTRASTIVA
Mônica Maria Guimarães Savedra (UFF)

Em estudos com base na temática de línguas em/de contato, o processo de aquisição de línguas é tratado como um processo relativo, que envolve muitos fatores determinados pelo contexto de aquisição e do uso tópico e dinâmico das línguas em diferentes ambientes comunicativos. Nestes estudos é possível identificar que ao lado de fatores sociolinguísticos e socioculturais, outros fatores, estabelecidos por dimensões conceituais e estruturais, também emanam como relevantes durante o processo de aquisição e uso das línguas.

 

OS CONTATOS LINGUÍSTICOS E A FORMAÇÃO DO PORTUGUÊS DO BRASIL
Silvana Silva de Farias Araújo (UEFS/UFS PDJ-CNPq)

A participação de línguas diversas na sócio-história do português brasileiro (PB) é, sem dúvida, o tema mais recorrente, quando se trata de estudar a história da realidade sociolinguística brasileira. Há diversas posições sobre essa questão, em cujos extremos estão a que postula que houve um contato entre línguas tão intenso no Brasil, a ponto de ser o PB uma língua em processo de descrioulização (GUY, 1981, 1989), e as que defendem que o contato linguístico não teve papel decisivo na gênese da variedade linguística brasileira (NARO; SCHERRE, 2007). Nesta apresentação, assumimos que o PB é uma variedade parcialmente modificada do português europeu, em consequência dos diversos contatos linguísticos ocorridos no Brasil colonial e imperial (HOLM, 1987, LUCCHESI, 2000). Nessa linha de raciocínio, defendemos que a constituição de corpora diversos que documentem e analisem variedades distintas do PB é fundamental para que melhor se avalie a participação do contato entre línguas na constituição da realidade sociolinguística brasileira.

 

DIREITOS LINGUÍSTICOS
Ricardo Nascimento Abreu (UFS)

No bojo das possibilidades de pesquisas em Políticas Linguísticas, vem se desenvolvendo no mundo, principalmente nas últimas duas décadas, um campo de estudos que visa analisar as formas como as línguas e os direitos dos falantes dessas línguas são tomados como objetos tutelados pelos Estados nacionais contemporâneos. A área de estudo dos “direitos linguísticos”, nesse sentido, nasce com uma dupla responsabilidade: em primeiro lugar, a de promover uma hermenêutica jurídica capaz de interpretar as normas existentes e auxiliar na técnica de elaboração de documentos normativos que regulem a relação das línguas com o Estado, bem como os direitos dos falantes dessas línguas, em prol de uma cidadania linguística plena. Em segundo plano, a responsabilidade de promover o ativismo político-linguístico entre os mais diversos setores da sociedade civil, no sentido de proteger a diversidade linguística e o direito de autonomia linguística de os povos utilizarem, em seus territórios, as suas próprias línguas em concomitância com a(s) língua(s) oficial(is) do Estado.

 

MESA-REDONDA 6

TRADUÇÃO, ADAPTAÇÃO E ESTÉTICA AUDIOVISUAL CONTEMPORÂNEAS

A proposta da mesa é desvelar movimentos narrativos e estéticos em produções contemporâneas. De um lado, discutiremos as possibilidades narratológicas em jogos e adaptações; por outro, abordaremos a movimentação da imagem no cinema de Jean-Luc Godard, enraizado numa proposta estética do escritor francês Mallarmé. Em ambos os casos, será possível repensarmos estruturas e estratégias narrativas, arquiteturas textuais e hibridismo.
 

ADAPTAÇÕES PÓS-LITERÁRIAS: OS NOVOS OLHARES DAS TEORIAS DA ADAPTAÇÃO
Álvaro Hattnher (UNESP/ Rio Preto)

A inversão do vetor tradicional em adaptação (literatura --->cinema) tem representado uma ampliação e transformação no próprio conceito de adaptação. Entre outros aspectos, essa transformação compreende uma maior inclusão de textos não-canônicos e suas diversas arquiteturas textuais, levando a uma maior abertura para orientar nossas análises e discussões. A multiplicidade de possibilidades narrativas em tantas arquiteturas textuais diferentes corresponde a uma fome de narrativas quase insaciável, parcialmente amenizada por cada uma das novas possibilidades de contar e recontar, mostrar e mostrar mais uma vez, e de participar das narrativas, como leitores, espectadores ou como avatares em jogos de computador, gerando a possibilidade quase infinita de novos percursos narrativos.

 

MALLARMÉ, GODARD E O DILEMA DO BRANCO
Fernando Mendonça (UFS)

Ao refletir a brancura da página enfrentada pela criação poética, o simbolista Stéphane Mallarmé (1842-1898) legou noções de visualidade que em muito seriam aprofundadas pela expressão cinematográfica, a partir do séc. XX. Mais do que adaptações de seus poemas, a história do cinema conta com algumas visitações do imaginário originado pelo autor de Un Coup de Dés, reposicionadas em relação ao domínio do audiovisual por diretores como Éric Rohmer, Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. Nossa reflexão parte de uma primeira leitura de curtas destes realizadores, para então se concentrar em alguns filmes de Jean-Luc Godard, artista híbrido que pode ser considerado o principal representante cinematográfico do espírito mallarmeano, inclusive em sua produção mais recente, como é o caso de Adieu au Langage (2014). Diante da tela branca onde se projetam imagens em movimento, Godard perpetua a moderna inquietação do caos criador, que em poesias ou filmes, permanece desafiando a humanidade em suas necessidades de se representar, adaptando e renovando suas linguagens.

 

MESA-REDONDA 7

DISCURSO, POLÍTICA E MÍDIA

 

PÊCHEUX E AS QUESTÕES POLÍTICAS: REFLEXÕES PARA PENSAR A ATUALIDADE
Helson Flávio da Silva Sobrinho (UFAL)

Nossa apresentação versará sobre questões de ordem teórica, filosófica, científica e política que foram convocadas por Pêcheux em seus textos para fazer pensar a atualidade histórica e a prática do analista de discurso. Esse gesto de leitura e interpretação busca, partir da imbricação entre sujeito, língua e história, a compreensão da complexidade do discurso e seu caráter dialético na produção de sentidos e na constituição dos sujeitos e suas práticas históricas na atualidade.
Palavras-chave: Pêcheux; questões políticas; leitura.

 

DISCURSO POLÍTICO NA MÍDIA: O CASO DONALD TRUMP
Fábio Elias Verdiani Tfouni (UFS)

O objetivo deste trabalho é analisar os discursos e ideologias de capas de revistas brasileiras de grande circulação sobre Donald Trump através dos aportes teórico-metodológicos da Análise de Discurso (doravante AD) francesa de filiação pecheutiana.Como a figura e os discursos de Trump têm frequentado bastante a mídia, parece razoável partir da hipótese de que a eleição de Trump é um acontecimento histórico que precisa ser lido e interpretado. De acordo com a AD, nenhum discurso é neutro ou livre de ideologias. Todo discurso é ideologicamente marcado e, nesse sentido, não há literalidade de sentidos ou o óbvio. Logo, pode-se dizer que todo discurso produz evidências de sentido. A AD pretende questionar tal produção de evidências nos discursos (PÊCHEUX, 1995), inclusive no discurso midiático. Assim, pretendemos fixar nosso olhar em capas de revista a fim de compreender, através de um dispositivo analítico, como as formações ideológicas contemporâneas materializam-se na mídia.
Palavras-chave:Pêcheux; discurso político; mídia; Donald Trump.

 

ESCRITOS EM CIRCULAÇÃO NA CIDADE: UMA VISADA DISCURSIVA
Wilton James Bernardo-Santos (UFS)

O trabalho traz uma breve apresentação do projeto em andamentoEscritos da cidade: práticas para o ensino de leitura e escrita (parte I) ” dedicado à pesquisa para o ensino. A proposta inclui a coleta de quaisquer artefatos escritos da/na cidade: panfletos (folhetos), flyers, folders (prospectos), listas de compras manuscritas de supermercados e feiras, cardápios, toponímia em mapas novos e antigos, em fotos/imagens etc. São mobilizados então diferentes percursos analíticos, considerando o ambiente de circulação do artefato escrito, os aspectos gráficos, as contrapartes implicadas nas relações e, fundamentalmente, como nos orienta M. Pêcheux (1997) “trata-se para além da leitura dos Grandes Textos (da Ciência, do Direito, do Estado) de se pôr na escuta das circulações cotidianas, tomadas no ordinário do sentido” citando De Certeau, em seu A Invenção do cotidiano (1980). Nessa direção, apresentamos algumas peças procurando contemplar diferentes regiões e prática/rituais da cidade de Aracaju.
Palavras-chave: análise de discurso; escrita; cidade.

 

MESA-REDONDA 8

ESTUDOS EM LINGUÍSTICA TEXTUAL: UMA ABORDAGEM INTER E MULTIDISCIPLINAR

Os estudos em Linguística Textual (daqui em diante, LT) vêm se diversificando e evidenciando uma abordagem necessariamente inter e multidisciplinar na análise e na interpretação de fenômenos de natureza textual. Assim, na busca de contribuir para a discussão sobre o texto em seus diferentes modos de organização e em diferentes contextos, objetivamos propor uma reflexão sobre o dispositivo teórico-metodológico da LT praticada no Brasil, no sentido de (re)pensar seus conceitos e critérios analíticos.

 

OS EMOJIS EM COMENTÁRIOS DO FACEBOOK: TOPICALIDADE E COERÊNCIA TEXTUAL
Rivaldo Capistrano Júnior (UFES/ UNIFESP)

Na busca de contribuir com a discussão sobre o texto em novos contextos, propomo-nos, neste trabalho, refletir sobre práticas de escrita na Web. De modo mais específico, buscamos analisar, em comentários da rede social Facebook, funções dos emojis, recursos semióticos da escrita digital, na (des)continuidade tópica e, consequentemente, na construção da coerência textual. Fundamentamos teórico-metodologicamente o trabalho na Linguística Textual, de perspectiva sociocognitiva e interacional.
Palavras-chave: Escrita digital. Emoji. Tópico discursivo. Coerência textual.

 

LEITURA DO CONTO DE TERROR: ANÁFORAS DIRETAS E ENCAPSULAMENTO
José Ricardo Carvalho (UFS)

Os estudos da Linguística de Texto demonstram que a compreensão do discurso requer um trabalho sociocognitivo de elaboração de representações e reconstrução do fio do discurso de forma dinâmica e negociada. Por esse viés, podemos observar o funcionamento do discurso no gênero conto de terror “O gato preto” escrito por Edgar Allan Poe, examinando o modo como se a realiza o processo de progressão textual. Defendemos que tal texto faz uso de expressões ambíguas e vagas que criam expectativas e contraexpectativas, sendo responsáveis pelo desvelamento do objeto do discurso de forma gradativa no processo interacional com o leitor.  As hipóteses teóricas estão enraizadas nos princípios sociocognitivos e interacionais da Linguística de Texto, desenvolvidas por autores como Koch e Marcuschi (1998), Conte (1996, 2003), Mondada e Dubois (2003), Custódio Filho (2011), Santos e Cavalcante (2014). Analisamos como ocorre a criação de expectativa e suspense a partir de estratégias referenciais estabelecidas por meio de anáforas diretas e encapsulamentos que promovem a recategorização dos objetos de discurso no desenvolvimento da narrativa de terror.
Palavras-chave: referenciação; gênero textual, conto de terror; anáfora direta, encapsulamento, criação de suspense.

MINICURSO 1


QUEM MEXEU NOS MEUS QUADRINHOS: ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE ADAPTAÇÃO DE NARRATIVAS GRÁFICAS
Álvaro Hattnher (UNESP/ Rio Preto)

O conceito de adaptação tem sido moeda corrente na circulação teórica associada a textos não canônicos, em especial ao binômio literatura/cinema. Este trabalho pretende rediscutir alguns aspectos relativos à relevância e operacionalidade desse conceito para os estudos comparados de estruturas narrativas em diversos suportes, com especial destaque para as transformações ocorridas em adaptações de narrativas gráficas para outros suportes como cinema, televisão, e mesmo para sua reescritura a sob a forma de “literatura convencional”.

 

MINICURSO 2


ALFABETIZAÇÃO PARA FORMAR REDATORES COMPETENTES
Leonor Scliar Cabral (UFSC)

O minicurso se propõe a reflexão crítica sobre os fundamentos da alfabetização para a escrita, à luz dos avanços mais recentes da neurociência, da linguística, da psicolinguística da neuropsicologia e das experiências exitosas na SEMED de Lagarto (SE). Ressaltam-se as descontinuidades entre a aquisição da linguagem verbal oral e a aprendizagem dos sistemas escritos, fruto da invenção cultural que culminou com a dos sistemas alfabéticos e o pré-requisito de a criança estar alfabetizada para a leitura. O objetivo (do minicurso) é fundamentar os educadores com os avanços das ciências de ponta e instrumentá-los para que saibam por que e como tornar seus alunos redatores expertos; o aluno deverá: a) aprender a planejar, isto é,  definir o tema, suas intenções pragmáticas, o(s) destinatário(s), a situação comunicativa escrita (aprendendo os usos linguísticos decorrentes da ruptura espaço-temporal), o gênero e o registro; b) a elaborar o plano, mantendo-lhe a coerência, a coesão, a consistência e a paragrafação, com a correta hierarquia das ideias; c) aprender a converter o plano no texto; d) aprender a pontuar, de acordo com a sintaxe; e) automatizar a conversão dos fonemas em grafemas e os gestos motores requeridos na execução (manuscrita e digitação); f) saber revisar o escrito, aplicando os conhecimentos metalinguísticos. 

 

MINICURSO 3


INTRODUÇÃO AOS CONTATOS LINGUÍSTICOS
Mônica Maria Guimarães Savedra (UFF)

Este curso apresenta bases teórico-metodológicas para o estudo de línguas em/de contato, considerando fatores sociolinguísticos, socioculturais, conceituais e estruturais que atuam nestes processos. 

 

MINICURSO 4


DA NEUROCIÊNCIA À SALA DE AULA: ASPECTOS COGNITIVOS E METACOGNITIVOS DA APRENDIZAGEM
Valquíria Claudete Machado Borba (UNEB)

Este minicurso tem por objetivo o estudo do desenvolvimento cognitivo e da aquisição da leitura e da escrita na perspectiva da neurociência. Para isso, abordaremos as bases biológicas da aprendizagem e o processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita sob uma perspectiva da neurociência. Tratamos dos paradigmas da cognição: o behaviorismo, o simbolismo e o conexionismo, dos processos cerebrais envolvidos na aprendizagem, da importância da memória para o desenvolvimento do conhecimento linguístico, do processamento da leitura e da escrita. Finalizamos trazendo estratégias de leitura e escrita a partir de uma visão neurocientífica da aprendizagem.

 

MINICURSO 5


ANÁLISE DO DISCURSO E O CARÁTER MATERIAL DO SENTIDO
Helson Flávio da Silva Sobrinho (UFAL)

Este minicurso propõe desenvolver uma reflexão a partir da perspectiva filosófica materialista sobre a obra de Michel Pêcheux, especialmente, sobre o livro “Semântica e Discurso”, particularmente sobre o que ele considera como o “Caráter material do sentido”. Assim, o curso contribuirá para enriquecer o debate sobre a Teoria materialista do discurso, pensando o gesto teórico e analítico na compreensão do funcionamento das materialidades discursivas e levará em consideração as contradições materiais e ideológicas da sociedade capitalista.  

 

MINICURSO 6


DAS RELAÇÕES ENTRE LÍNGUA TEXTO E SOCIEDADE
Anna Christina Bentes (UNICAMP)

O curso tem por objetivo apresentar as reflexões que tenho desenvolvido sobre a possibilidade tanto metodológica como temática de estabelecer interrelações entre o campo da sociolinguística e o campo dos estudos do texto. Serão apresentados resultados de pesquisas que mostram que esse investimento pode ser muito produtivo para cada um dos dois campos e para o desenvolvimento de uma compreensão interdisciplinar do fenômeno da linguagem.

 

MINICURSO  7


CÍRCULO DE BAKHTIN: DA CIÊNCIA DAS IDEOLOGIAS À METALINGUÍSTICA
Luiz Rosalvo Costa (DLI/UFS)

O objetivo do curso é apresentar um olhar panorâmico sobre a obra do Círculo de Bakhtin buscando discutir os nexos entre dois grandes programas teóricos a partir dos quais podem ser articulados os trabalhos de Pável Medviédev, Valentin Volóchinov e Mikhail Bakhtin. Um deles, explicitado em textos dos anos 1920, é designado como ciência das ideologias e tem como propósito a formação de um corpo de conhecimentos e princípios teóricos voltados para o estudo da produção e circulação de signos nas diferentes esferas da comunicação socioideológica: a literatura, a arte, a ciência, a religião etc. O outro, cuja explicitação se dá em textos dos anos 1950 e 1960, é designado como metalinguística e tem como objetivo a constituição de uma disciplina científica que, dedicando-se ao estudo das relações dialógicas, ultrapasse os limites da linguística tradicional e contribua para a compreensão dos fenômenos da comunicação discursiva na sociedade.

 

MINICURSO 8


DO UT PICTURA POESIS À CRISE DA EXPRESSÃO: BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIÁLOGO ENTRE LITERATURA E PINTURA E A FORMAÇÃO ESTÉTICA DA MODERNIDADE
Fabiano Rodrigo da Silva Santos (UNESP/ Assis)

O minicurso apresenta considerações sobre a formação estética da modernidade, considerando a reincidência de motivos, procedimentos e preocupações artísticas comuns à literatura e às artes plásticas, no período que compreende a segunda metade do século XVIII e a primeira metade do século XX. Como ponto de referência para o estudo do diálogo entre as artes na modernidade, tomam-se tanto as categorias estéticas que foram objeto de debates entre artistas, estetas e filósofos no momento de formação da modernidade e suas manifestações na literatura e pintura, como as novas categorias que se firmam no solo da sociedade industrial. Considera-se também a convergência entre a o diálogo entre as artes e a problematização da mimesis clássica, fenômeno que associado a circunstâncias históricas e estéticas diversas, eclodirá na chamada “crise da expressão artística”.

 

MINICURSO 9


FIGURAÇÕES DO IMAGINÁRIO E DA CULTURA POPULAR NA FICÇÃO DO SÉCULO XIX
Rafaela Mendes Mano Sanches (Pós-Doc/PPGL/UFS)

Este minicurso propõe um estudo sobre a representação da cultura popular no século XIX, tendo como ponto de partida os debates em torno das relações entre tradição popular e ficção literária que tanto ocuparam a atenção dos letrados.Nos oitocentos, as tradições e manifestações do povo seriam difundidas como formas de expressão do caráter nacional, pois na condição de depositárias de práticas, costumes e tradições que refletem o espírito de uma época, seriam encaradas como maneiras de traduzir a identidade coletiva e o que havia de mais autêntico no seio de um país. Ao ocupar um lugar de relevo, o manancial popular ganha repercussão entre os postulados dos escritores românticos que se debruçam sobre os vínculos entre tradição popular e ficção nas reflexões acerca das representações identitárias da nação e dos gêneros expressivos para inscrevê-las. Não por acaso, os romancistas assumem-se como tão ou mais aptos que os historiadores para revelar “a história e suas verdades”. É provável que a segurança de seus argumentos encontre amparo na capacidade que a ficção, supostamente, possui de sintonizar-se mais intimamente com as matrizes populares que o discurso oficial da historiografia. Considerando a importância que os escritores conferem à cultura popular, analisaremos a inscrição do povo em obras ficcionais de autores como Goethe, Alexandre Herculano, José de Alencar, e Bernardo Guimarães.

 

MINICURSO 10


PRÁTICA LITERÁRIA E LUTAS MINORITÁRIAS, ARTE COMO AÇÃO ESTÉTICO-POLÍTICA
Rodrigo Guéron (UERJ)

Gilles Deleuze e Félix Guattari em sua seminal obra Kafka, por uma literatura menor produziram bem mais que uma das mais brilhantes interpretações da obra do escritor Tcheco Franz Kafka. Estávamos diante, na verdade, de um dos mais radicais deslocamentos da teoria política contemporânea. Tratar-se-ia doravante de pensar/agir (como no sentido de práxis) politicamente a partir do que denominamos de lutas minoritárias (micropolítica: das bixas, das mulheres, das trans, dxs negrxs, dxs palestinxs, etc), e não mais ter como foco a tomada da Forma-Estado como objetivo da luta revolucionária. E mais, todo este esforço crítico e clínico foi, em certa medida, pensado como crítica contundente ao capitalismo contemporâneo e recusa ao fascismo em nossa atualidade. A elucidação de alguns conceitos propostos pelos livre-pensadores franceses como, por exemplo, “devir” (devir-negro/devir-mulher/devir-animal), “linha de fuga” e “agenciamento coletivo de enunciação” nos darão a condição de possibilidade para explicitar nossa hipótese. Não obstante, apresentamos uma noção de nossa lavra, à qual denominamos de “ação estético-política” que nos servirá de operador para articular os conceitos deleuze-guattarianos com a hipótese por nós defendida.